Pipoca, Guri e Peteca: escritor de Marília fala sobre palavras do dia a dia que vieram do tupi em livro infantil

  • 19/04/2026
(Foto: Reprodução)
Escritor fala sobre palavras do dia a dia que vieram do tupi em livro infantil Reprodução Pipoca, jacaré, abacaxi, guri são algumas das muitas palavras presentes no cotidiano dos brasileiros que têm origem no tupi-guarani, língua que já foi a mais falada no Brasil durante o século XVIII e que, mesmo após perder espaço, deixou marcas no português falado hoje no país. Neste domingo (19), é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, data que remete ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 1940, no México, para discutir a situação dos povos indígenas. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente 295 línguas indígenas são faladas no Brasil, a maioria dessas línguas pertence à família tupi-guarani. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Até 1758, o tupi era mais falado que o português no território brasileiro. A língua foi posteriormente proibida em órgãos públicos e instituições de ensino, o que contribuiu para sua redução ao longo dos anos. LEIA MAIS MUDANÇA: Dia dos Povos Indígenas: entenda a diferença entre índio e indígena CULTURA: Povos indígenas preservam tradições e fortalecem ancestralidade LINGUAGEM: Comunidade indígena em Avaí busca preservar a língua nativa Eré Anambé, vice-cacique de aldeia do povo Anembé, no Pará. Divulgação Ainda assim, mais de dois séculos de predominância foram suficientes para que o português incorporasse diversas palavras de origem indígena, especialmente aquelas relacionadas a elementos da natureza, como rios, plantas, animais e alimentos. Essa herança linguística é o ponto de partida do livro infantil “O tupi que você fala”, do escritor mariliense Cláudio Fragata, lançado em 2015 pela editora Globinho. A obra apresenta às crianças a origem de palavras comuns do dia a dia de forma lúdica. Em entrevista ao g1, o autor explicou que muitas dessas palavras já estão tão incorporadas ao vocabulário que passam despercebidas. “Você pode dizer mil vezes que vai tomar um suco de maracujá e nunca pensar que ‘maracujá’ é uma palavra indígena. Eu quis mostrar para as crianças que essas palavras diárias são uma contribuição dos indígenas para o nosso idioma”, afirmou o autor, de 73 anos. Fragata também aponta que a mistura de influências é uma característica marcante da identidade brasileira. Segundo ele, essa diversidade ajudou a formar um perfil cultural único. “Essa mistura compõe um perfil do povo brasileiro que outros povos não têm. Muitos países negam as origens, brasileiro não, ele abraçou todas essas raças. Acho que essa característica multifacetada é o que temos de melhor.” Construção do livro Para construir o conteúdo, Fragata realizou pesquisas em livros, dicionários e com especialistas. Ele conta que a recepção do público infantil foi positiva. “Procurei usar palavras de origem indígena que fossem de uso muito comum e diário. O retorno foi muito bacana, porque as crianças ficavam surpresas ao descobrir a origem das palavras.” No livro, o autor apresenta exemplos em forma de poema. Confira trechos selecionados pelo g1: “Aposto que você sabe falar tupi e eu provo aqui. Sabe que fruta é se falam caju, guaraná, pitanga ou maracujá? Também é tupi: samambaia, sabiá e paçoca. Viu como você entende tudo, sim senhor, sem precisar de tradutor? Comendo pipoca ou amendoim. Você é um pouco curumim.” Trecho do livro "O Tupi que você fala" de Cláudio Fragata Reprodução Trecho do livro "O Tupi que você fala" de Cláudio Fragata Reprodução Dia dos Povos Indígenas O dia 19 de abril é celebrado como o Dia dos Povos Indígenas, anteriormente chamado de Dia do Índio, em homenagem ao Congresso Indigenista Interamericano de 1940. A data foi instituída no Brasil em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas. Em 2022, a nomenclatura foi oficialmente alterada pela Lei 14.402. A mudança ocorreu porque o termo “índio” passou a ser considerado genérico e inadequado, por não representar a diversidade dos povos indígenas. A historiadora Márcia Mura, integrante do povo Mura, de Rondônia, afirma que a data deve ser vista como um momento de reflexão e reivindicação de direitos. “Não temos o que comemorar, porque ainda precisamos reivindicar e pautar nossas lutas. Lutamos todos os dias pelo nosso território, pela nossa cultura e pelo direito de viver como vivemos, quando existe uma sociedade que está nos matando pouco a pouco”, disse em entrevista ao g1. Dia dos Povos Indígenas destaca desafios e avanços na educação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/04/19/pipoca-guri-e-peteca-escritor-de-marilia-fala-sobre-palavras-do-dia-a-dia-que-vieram-do-tupi-em-livro-infantil.ghtml


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